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Por que o open office só funciona bem com acústica

Juliana Barros
4 de abr.
3 min de leitura

Atualizado: 7 de abr.


Diretoria MRV - Acústica JBARROS
Diretoria MRV - Acústica JBARROS

O modelo de escritórios abertos, conhecido como open office, ganhou popularidade a partir da segunda metade do século XX com a proposta de estimular a colaboração, a transparência e a integração entre equipes. No entanto, ao longo das últimas décadas, diversos estudos têm demonstrado que, sem um planejamento acústico adequado, esse modelo pode comprometer exatamente os objetivos que pretende alcançar. Pesquisas conduzidas por Jukka Haapakangas e colaboradores indicam que ambientes abertos frequentemente apresentam níveis elevados de ruído de fundo e baixa privacidade sonora, fatores diretamente associados à insatisfação dos usuários (Haapakangas et al., 2018).


A principal problemática do open office está na forma como o som se propaga nesses ambientes. A ausência de barreiras físicas, combinada com o uso recorrente de superfícies reflexivas — como pisos rígidos, fachadas envidraçadas e forros pouco absorventes — favorece a reflexão e a difusão sonora. Isso resulta em um aumento significativo do ruído ambiente e na sobreposição de conversas, fenômeno conhecido como “efeito Lombard”, no qual os indivíduos tendem a elevar a voz em resposta ao ruído existente. Estudos clássicos de Vladimir P. Zajonc já demonstravam que a presença constante de estímulos sonoros indesejados impacta negativamente o desempenho em tarefas cognitivas complexas (Zajonc, 1965), sendo essa condição amplificada em ambientes abertos contemporâneos.


As consequências desse cenário são amplamente documentadas na literatura científica. A dificuldade de concentração é um dos efeitos mais recorrentes, especialmente em atividades que exigem atenção contínua e processamento cognitivo elevado. Segundo Eija Hongisto (2005), a inteligibilidade da fala em ambientes de escritório aberto pode reduzir significativamente a produtividade, uma vez que o cérebro humano é altamente sensível à fala compreensível ao redor, tornando-a uma das principais fontes de distração. Além disso, estudos conduzidos por Sally Augustin (2014) indicam que a exposição contínua ao ruído aumenta os níveis de estresse, fadiga mental e irritabilidade, impactando diretamente o bem-estar e a saúde dos colaboradores.


Outro aspecto crítico está relacionado à comunicação e à privacidade. Paradoxalmente, embora o open office tenha sido concebido para facilitar a interação, a falta de controle acústico pode levar os usuários a evitarem conversas, especialmente quando envolvem informações sensíveis. De acordo com Vinesh Oommen et al. (2008), trabalhadores em escritórios abertos relatam maior insatisfação com a privacidade e maior incidência de interrupções, o que compromete tanto a comunicação quanto a eficiência das equipes. Esse cenário frequentemente gera retrabalho, falhas de entendimento e perda de qualidade nas entregas.


Diante desse contexto, a solução não está no abandono do conceito de open office, mas na sua reformulação a partir de uma abordagem acústica estratégica. A literatura aponta que a introdução de materiais absorventes, como forros acústicos, painéis verticais e revestimentos porosos, aliada ao uso de divisórias acústicas e ao planejamento adequado do layout, pode reduzir significativamente a propagação sonora e melhorar o conforto auditivo. Conforme demonstrado por Leo L. Beranek (2012), o controle do tempo de reverberação e da distribuição sonora é essencial para garantir ambientes mais equilibrados e funcionais. Assim, a colaboração — principal objetivo do open office — só se torna efetiva quando há condições acústicas que favoreçam tanto a interação quanto a concentração, equilibrando comunicação e desempenho.


Referências bibliográficas:
  • HAAPAKANGAS, J. et al. Benefits of quiet workspaces in open-plan offices – Evidence from two office relocations. Journal of Environmental Psychology, 2018.

  • HONGISTO, E. A model predicting the effect of speech of varying intelligibility on work performance. Indoor Air, 2005.

  • OOMMEN, V. G.; KNOWLES, M.; ZHAO, I. Should health service managers embrace open plan work environments?. Asia Pacific Journal of Health Management, 2008.

  • AUGUSTIN, S. Place Advantage: Applied Psychology for Interior Architecture. Wiley, 2014.

  • BERANEK, L. L. Concert Halls and Opera Houses: Music, Acoustics, and Architecture. Springer, 2012.

  • ZAJONC, R. B. Social Facilitation. Science, 1965.

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